Biografia: Clarice Lispector

sábado, 12 de novembro de 2011 0 deixaram um comentário


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Em 10 de dezembro de 1920, enquanto seus pais percorriam várias aldeias da Ucrânia por conta da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa, nasce, em Tchetchelnik (Ucrânia), Clarice Lispector, tendo recebido o nome de Haia Pinkhasovna Lispector, foi terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector.
Chegam a Maceió em março de 1922, sendo recebidos por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, todos mudam de nome, exceto a irmã Tânia: o pai passa a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia, a irmã, Elisa; e Haia, Clarice.
Em 1925, a família muda-se para Recife onde o pai pretende construir uma nova vida. A paralisia de sua mãe Marieta faz com que sua irmã Elisa se dedique a cuidar de todos e da casa.
Aos 11, já escrevia suas historinhas, todas recusadas pelo Diário de Pernambuco, que àquela época dedicava uma página às composições infantis. Isso se devia ao fato de que, ao contrário das outras crianças, as histórias de Clarice não tinham enredo e fatos, apenas sensações.
Quando tinha 15 anos seu pai decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. Clarice foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Se viu frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto "Triunfo" na Revista Pan.
Após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, em 1943, seu pai Pedro morre de complicações do procedimento.
Após a morte de seu pai, a escritora — talvez motivada por esse acontecimento — escreve diversos contos: A fuga, História interrompida e O delírio. Esses contos serão publicados postumamente em A bela e a fera.
Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos.
Publica o romance A maçã no escuro em 1961 e recebe o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por Laços de família. Em 1962, recebe o prêmio Carmen Dolores Barbosa, por A maçã no escuro, considerado o melhor livro do ano.
Na madrugada de 14 de setembro de 1966 a escritora dorme com um cigarro aceso, provocando um incêndio. Seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte e dois meses hospitalizada. Quase tem sua mão direita amputada pelos médicos.
Em 1975, tendo como companheira de viagem a amiga Olga Borelli, foi convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Cali na Colômbia. Fez uma pequena apresentação na conferência e falou do seu conto "O ovo e a Galinha", que depois de traduzido para o espanhol fez sucesso entre os participantes. Ao voltar ao Brasil, a viagem de Clarice ganhou ares mitológico, com jornalistas descrevendo (falsas) aparições da autora vestida de preto e coberta de amuletos. Porém, a imagem se formou, dando a Clarice o título de "a grande bruxa da literatura brasileira". Seu próprio amigo Otto Lara Resende disse sobre a obra de Lispector: "não se trata de literatura, mas de bruxaria.".
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para a amiga Olga Borelli.

Suas obras

Romances:

Perto do Coração Selvagem (1943);
O Lustre (1946)
A Cidade Sitiada (1949)
A Maçã no Escuro (1961)
A Paixão segundo G.H. (1964)
Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969)
Água Viva (1973)
Um Sopro de Vida - Pulsações (1978)


Novela:

A hora da estrela (1977)

Contos:

Alguns contos (1952)
Laços de família (1960)
A legião estrangeira (1964)
Felicidade clandestina (1971)
A imitação da rosa (1973)
A via crucis do corpo (1974)
Onde estivestes de noite? (1974)
A bela e a fera (1979)


Correspondência:

Cartas perto do coração (2001) - 
Organização de Fernando Sabino
Correspondência - Clarice Lispector (2002) - 
Organização de Teresa Cristina M. Ferreira

Crônicas:


Visão do esplendor - Impressões leves  (1975)
Para não esquecer (1978) - 
contos inicialmente publicados em Laços de família.
A descoberta do mundo (1984)


Entrevistas:

De corpo inteiro (1975)

Literatura  infantil:

O mistério do coelho pensante (1967) - 
Escrito em inglês e traduzido por Clarice
A mulher que matou os peixes (1968)
A vida íntima de Laura (1974)
 Quase de verdade (1978)
Como nasceram as estrelas (1987)


Antologias:

Seleta de Clarice Lispector (1975) - 
Organização de Renato Cordeiro Gomes
Clarice Lispector (1981) - 
Organização de Benjamin Abdala Jr. e Samira Y. Campedelli
O primeiro beijo & outros contos, de Clarice Lispector (1991)
Os melhores contos de Clarice Lispector (2001) - 
Organização de Walnice N. Galvão
Aprendendo a viver (2004)


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